Chuvas no RJ deixam nove mortos e um desaparecido, alagam hospital e fecham Avenida Brasil

Chuvas no RJ deixam nove mortos e um desaparecido, alagam hospital e fecham Avenida Brasil

14 de janeiro de 2024 0 Por Francisco Avelino

Parte das estações do metrô da Linha 2 não opera por causa do transbordamento do Rio Acari. Niterói atinge índice pluviométrico histórico

As chuvas estão provocando sérios transtornos na cidade e no estado do Rio desde a madrugada deste domingo. O Corpo de Bombeiros confirmou nesta manhã nove mortes até o momento na Zona Norte da capital e na Baixada Fluminense. Algumas vítimas ainda não foram identificadas. Há uma pessoa desaparecida ainda em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A Avenida Brasil, que chegou a ser totalmente interditava durante a madrugada, já foi totalmente liberada. Pela manhã, agentes da prefeitura chegaram a fechar a pista central, no sentido centro, para fazer o escoamento da água. O subsolo do Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, também está alagado. Já o metrô funciona parcialmente na Linha 2, por conta do transbordamento do Rio Acari.

Em Ricardo de Albuquerque, na Zona Norte do Rio, foram usados cães farejadores nas buscas pelo homem encontrado morto, soterrado num deslizamento de terra na Rua Moraes Pinheiro. Próximo dali, em Acari, segundo os bombeiros, uma senhora foi achada morta dentro de casa na Rua Matura, provavelmente vítima de afogamento. Na Baixada, uma mulher foi encontrada sem vida na Rua General Rondon, em Nova Iguaçu, vítima de afogamento. E, em São João de Meriti, um homem foi a óbito na Rua Neuza ao ser atingido por uma descarga elétrica.

Mortos nas chuvas do Rio:

  • 1 mulher – Rua Maturá, em Acari (vítima de afogamento)
  • 1 homem – Rua Moraes Pinheiro, em Ricardo de Albuquerque (vítima de soterramento)
  • 1 mulher – Rua General Rondon, em Nova Iguaçu (vítima de afogamento)
  • 1 homem – Rua Neuza, em São João de Meriti (vítima de uma descarga elétrica)
  • 1 homem – Rua Pinto Duarte, em São João de Meriti (vítima de afogamento)
  • 1 homem – Passarela da Bernardino de Melo, em Comendador Soares (vítima de afogamento)
  • 1 homem – Rua Parecis, em Belford Roxo (vítima de afogamento)
  • 1 homem – Rua Marques de Paranaguá, em Duque de Caxias (vítima de uma decarga elétrica)
  • 1 homem – Rua Patricia Cristina, em Nova Iguaçu (vítima não teve a causa da morte divulgada)

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro, visita, na tarde deste domingo, visitando os municípios mais atingidos da Baixada Fluminense e os bairros mais afetados na capital. Na Pavuna, se reúne com o prefeito Eduardo Paes.

Já em Rocha Miranda, na Zona Norte, o pátio do 9º BPM ficou inundado. O Centro de Operações da prefeitura informa que o município entrou no estágio 4 (quarto nível numa escala de 5) às 02h45, devido aos elevados pluviométricos acumulados em 24 horas. Além disso, diversas ocorrências estão em andamento e provocam impactos na rotina da cidade, principalmente na Zona Norte.

Em Acari, o temporal atingiu a rede elétrica e deixou o Hospital Ronaldo Gazolla seis horas sem energia e inundou o subsolo. A clínica da família, consultórios e estacionamentos foram fechados por conta do alagamento. O secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz, esteve na unidade hospitalar pela manhã deste domingo acompanhando o trabalho de rescaldo. Agentes da prefeitura e garis trabalharam durante a madrugada para escoar a água.

Temporal castiga diversos pontos do Rio; veja fotos

Em suas redes sociais no início da manhã, o prefeito Eduardo Paes pede que as pessoas evitem passar pela Avenida Brasil e que a prefeitura tentava restabelecer a energia no Hospital Ronaldo Gazolla. Segundo o monitoramento do município, algumas regiões da cidade registraram acumulados de chuva acima dos 200mm nas últimas 24 horas. Veja os bairros com os maiores volumes:

  • Anchieta – 264,4mm
  • Irajá – 213,6mm
  • Madureira – 187,2mm

Segundo o Alerta Rio, neste domingo uma frente estacionária no oceano ainda influencia o tempo no município do Rio. Assim, o céu estará predominantemente nublado e há previsão de chuva fraca a qualquer momento, podendo ser moderada no período da manhã. Os ventos estarão fracos a moderados e as temperaturas permanecerão estáveis, com mínima de 23°C e máxima de 31ºC.

Ocorrências por município:

  • Belford Roxo – 68
  • Nova Iguaçu – 38
  • Mesquita – 11
  • Nilópolis – 7
  • São João de Meriti – 4
  • Duque de Caxias – 2
  • Seropédica – 2
  • Capital – 107 ocorrências, 101 atendimentos e 06 em atendimento

O governador Cláudio Castro afirmou que está em contato com os prefeitos fluminenses, acompanhando a situação dos municípios para atender cada demanda e agilizar a atuação das secretarias. Na área assistencial, por exemplo, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, já está montando dentro do Restaurante do Povo de Duque de Caxias um centro de preparo e distribuição de refeições que serão entregues para abrigos nas cidades afetadas pela chuva.

A pasta atua junto às prefeituras para poder disponibilizar o Cartão Recomeçar para desabrigados. O governador também determinou à Secretaria de Saúde o reforço nas equipes dos hospitais estaduais.

— Reafirmo nosso compromisso em dar total suporte às prefeituras fluminenses, e atender cada demanda para apoiar a população. Todo o Governo do Estado está mobilizado nessa força-tarefa com ajuda humanitária e com o envio de equipamentos, como retroescavadeiras, por exemplo. E as equipes das secretarias também estão em contato contínuo com os municípios. Nossa atuação é permanente – declarou Cláudio Castro.

Região metropolitana afetada

Em Niterói, a prefeitura informa que foi atingido o recorde histórico de chuvas em uma hora: 120,2 milímetros. Na Rua Cinco de Julho, em Icaraí, garagens foram inundadas e prédios ficaram sem energia e elevadores.

Chuvas: garagem inunda em prédio de Icaraí e moradores tentam tirar água com baldes

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O governador Cláudio Castro disse, através do X, que conversou com prefeitos das áreas mais atingidas, como na Baixada Fluminense e São Gonçalo. Ele determinou reforço nas emergências de hospitais, assim como informou sobre envio de maquinário para limpar ruas.

Metrô tem estações fechadas

Já a concessionária MetrôRio informa que, devido ao temporal que atingiu a cidade, o entorno das estações da Linha 2 foi afetado. O alto volume de água, principalmente no bairro de Acari, impossibilitou a abertura completa do sistema. A Linha 2 está operando provisoriamente entre as estações Colégio e General Osório/Ipanema. As estações Pavuna, Engenheiro Rubens Paiva, Acari Fazenda Botafogo e Coelho Neto estão temporariamente fechadas.

“As equipes de manutenção estão mobilizadas para atuar, após o escoamento da água, e restabelecer o mais breve possível o sistema metroviário”, informa a concessionária.

Em Acari, parte do muro que segrega a linha do metrô caiu, e um carro foi parar em cima dos trilhos. As linhas 1 e 4, no entanto, estão operando normalmente.

Carro foi parar na linha do metrô na Zona Norte do Rio — Foto: Márcia Foletto
Carro foi parar na linha do metrô na Zona Norte do Rio — Foto: Márcia Foletto
Moradores de favela em Acari descartam objetos perdidos no temporal

Moradores de favela em Acari descartam objetos perdidos no temporal

Linhas de ônibus interrompidas

O temporal também atrapalha a circulação de ônibus na capital. Segundo o RioÔnibus, sindicato das empresas do setor, as linhas 300, 362, 369, 378, 388, 392, 393, 394, 397, 665 é 771 são as mais prejudicadas devido ao transbordamento do Rio Acari.

O RioÔnibus informa que os consórcios, em conjunto com a Secretaria Municipal de Transportes, estão trabalhando para buscar soluções que viabilizem a operação dessas e de outras linhas, até que tudo retorne à normalidade.

Resgate dramático e jet ski em rua inundada

Em meio à tragédia, circulam nas redes imagens de resgates dramáticos, a aparição de jacarés nas enchentes e cenas inusitadas, como um homem de jet ski na Rua dos Italianos, em frente ao Hospital Carmela Dutra, trafegando na via alagada.

https://www.instagram.com/reel/C2EZAKuugdM/?utm_source=ig_embed&ig_rid=c86c5433-509f-495f-bc93-3d76cbb4a208

No bairro Jardim América, próximo à Rodovia Presidente Dutra, uma idosa foi resgatada com ajuda de sete homens, que tinham água na altura do pescoço.

Pelo Twitter, o prefeito Eduardo Paes informa que foi montada uma base de comando da prefeitura na Pavuna e pede às pessoas que evitem se deslocar, especialmente na Zona Norte da cidade.

Mais de 200 ocorrências

Já a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Sedec-RJ) e o Corpo de Bombeiros monitoram as precipitações em todo o estado. De acordo com o boletim das 11h, os Bombeiros atenderam a mais de 200 ocorrências relacionadas às chuvas nas últimas 24 horas, em todo o território fluminense, relacionadas a salvamentos de pessoas, inundações/alagamentos, cortes de árvores e desabamentos/deslizamentos.

Baixada Fluminense alagada

Em Belford Roxo, equipes buscam por uma vítima feminina adulta que teria desaparecido após a queda de um veículo no Rio Botas, na altura da Rua Doze, no bairro Andrade Araújo, na noite de sábado.

Moradores da Baixada relatam que, além de estarem sem o Metrô, que não chega à Pavuna, também estão com dificuldade de conseguir ônibus. De tão intensa, a chuva chegou a alagar casas em Vilar dos Teles, no município de São João de Meriti.

A Prefeitura de Duque de Caxias informou que as fortes chuvas que atingem o município, desde o início da tarde de sábado, provocaram alagamentos em vários pontos dos quatro distritos. Algumas regiões foram mais afetadas devido às chuvas mais intensas. O índice pluviométrico ultrapassou os 100 mm em 24 horas e, devido à previsão de mais chuvas nas próximas horas, o município entrou em estágio de alerta.

Pontos de alagamento

Nas últimas horas foram registrados pontos de alagamentos na Vila Maria Helena, Xerém (Beira Rio), Pilar, Amapá, Campos Elíseos, Figueira, Santa Cruz da Serra e Vila Urussai, Lagunas e Dourados, que são regiões localizadas próximas a rios e canais, cujo escoamento das águas está sendo prejudicado pela maré alta.

A Defesa Civil também acionou 14 das 18 sirenes nos quatro distritos que alertam a população para os riscos de desabamentos e alagamentos. Com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, o município instalou pontos de apoios nas áreas mais afetadas para o atendimento à população.

Em Nova Iguaçu, a prefeitura montou um gabinete de gerenciamento de crise, com a participação de várias secretarias e órgãos públicos, para analisar os impactos provocados pela chuva até que a cidade volte à normalidade. O município segue em alerta máximo. A Secretaria Municipal de Defesa Civil (SMDC)informou que foram registrados 235mm de chuva em 14 horas, entre 18h30 e 8h30, o maior volume registrado na cidade desde o início das medições dos índices pluviométricos, em 2008.

A quantidade de chuva nessas 14 horas representou 77% da média histórica do mês de janeiro, de 305,8mm. Em 24 horas, entre 8h45m de sábado e 8h45m de domingo, foram 237mm. O bairro Moquetá foi o mais atingido, com 57mm de chuva em apenas uma hora. Uma mulher está desaparecida após a queda de um veículo no Rio Botas, no trecho entre Nova Iguaçu e Belford Roxo. Equipes do Corpo de Bombeiros fazem buscas na cidade vizinha.

O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) está acompanhando as condições meteorológicas e os níveis pluviométricos em todo o território fluminense, enviando alerta para os municípios quando necessário.

O risco hidrológico é alto ou muito alto na capital, nas Regiões Metropolitana, Serrana, Sul, Noroeste, Costa Verde e na Baixada Fluminense, com propensão a alagamentos e inundações. No restante do Estado, o risco é baixo a moderado.

O risco geológico é alto ou muito alto na capital, nas Regiões Metropolitana, Serrana, Sul, Costa Verde e na Baixada Fluminense, com possibilidade de deslizamentos de terra.