Maricá forma primeira turma de graduação com estudos custeados pelo município

Maricá forma primeira turma de graduação com estudos custeados pelo município

30 de julho de 2021 0 Por Francisco Avelino

Primeira turma de formandos do programa Passaporte Universitário. Foto: Divulgação

A primeira turma de formandos do programa Passaporte Universitário, da Secretaria de Educação de Maricá (RJ), teve sua colação de grau nesta quinta-feira (29/07). Vinte e nove estudantes do curso de graduação em Gestão Pública da Universidade de Vassouras, todos moradores da cidade, foram diplomados na solenidade. Além desses, também se formaram outros dois alunos do curso de Recursos Humanos da Universidade Estácio de Sá. Iniciativa pioneira da Prefeitura de Maricá lançada em março de 2019, o programa Passaporte Universitário atende a quase 5 mil pessoas, que não teriam condição de ter um diploma de curso superior e tiveram seus cursos integralmente custeados pelo município.

alunos do Passaporte Universitário

O grupo que se formou em Gestão Pública é considerado pela Secretaria de Educação como a “primeira cria” completa do Passaporte Universitário. Todos conseguiram com grande superação pessoal. Os dois melhores colocados do curso foram Eliane Barril Pereira, que tem 54 anos e mora nas Colinas, e José Armando de Medeiros, residente em Araçatiba, de 58 anos. Com o maior coeficiente de rendimento, Eliane ainda enfrentou uma internação que a deixou por um mês no Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, por conta da Covid-19. “Realmente eu quase morri, mas não perdi a fé e a garra que sempre tive e consegui, mesmo com atraso, concluir meu TCC”, lembra a agente de vendas, que tem no Passaporte Universitário uma grande guinada em sua vida.

alunos do Passaporte Universitário,

“Essa oportunidade veio num momento de mudanças. É um grande benefício que abriu o mercado para jovens e também para quem tem mais idade, como eu, que já tenho até um neto”, ressaltou Eliane, moradora da cidade há 19 anos. “Acompanhei toda a transformação por que Maricá passou e esse é mais um projeto que mostra o quanto a cidade evoluiu”, aponta.

Para José Armando, que é diretor operacional, o programa foi a chance de voltar aos estudos depois de iniciar e não concluir a faculdade de Direito na extinta Universidade Gama Filho, na década de 1990. “Era difícil para pagar e a situação apertou de um jeito que não conseguia mais, aí tive de trancar no 4º período. Vim para Maricá por conta do trabalho e surgiu a oportunidade do Passaporte Universitário. O programa ajuda muita gente e oferece oportunidade de melhorar”, avaliou ele, que ficou atrás da colega por apenas um décimo de ponto.

“É a nossa primeira medalha de ouro, a primeira turma gerada diretamente pelo programa. Isso representa a consolidação dessa oportunidade que nosso governo oferece. Além disso, há um forte simbolismo na escolha por este curso, com alunos que já atuavam no setor e, tenho certeza, se inspiraram no nosso modelo, percebendo que a gestão pública pode modificar a vida do cidadão. Para nós, é um grande orgulho”, afirmou a secretária Adriana Costa, ao antecipar que as inscrições para cursos de pós-graduação devem começar em setembro. Além disso, há a intenção de oferecer vagas para mestrado e doutorado no próximo ano. “É uma alegria perceber que ações governamentais dessa natureza podem transformar utopias em realidade”, declarou a coordenadora do Passaporte Universitário, Denize Cardim.

alunos do Passaporte Universitário,

Também moradora de Araçatiba, Yenai Fernandes Martins garante que vai acrescentar muito em sua experiência de gestão e que quer ampliar os conhecimentos. “Também sou muito grata ao município por não ter medido esforços para que tivéssemos acesso à graduação”, frisou a formanda de 57 anos. Sua colega Luciana de Almeida, de 48 anos, também se disse grata pela oportunidade.

“Sempre quis fazer e não podia por causa da condição financeira, era um sonho que tinha e consegui através do projeto. Agora é pôr em prática o que aprendi”, disse a moradora de Itaipuaçu. Já Wellingta Ferreira de Moura tem 35 anos, mora em Inoã e torce para que o programa continue. “Para nós, ajudou demais, e gostaria que ajudasse ainda mais gente com pós-graduação, mestrado e doutorado. Se vier será muito bom”, projeta.