Rio: seis governadores investigados pela Justiça

Rio: seis governadores investigados pela Justiça

28 de agosto de 2020 0 Por Francisco Avelino

Cinco ex-governadores chegaram a ser presos – Foto: Divulgação

Wilson Witzel é o sexto governador do Rio de Janeiro a ser investigado pela Justiça em menos de quarto anos. Tirando Witzel, todos os cinco ex-governadores que foram eleitos no estado já foram presos.

Luiz Fernando Pezão, Moreira Franco, Rosinha Garotinho e Anthony Garotinho respondem os processos em liberdade. Somente Sérgio Cabral – que na última terça-feira (25) foi condenado pela 14ª vez, tendo sua pena ultrapassada em 294 anos – está preso.

Ex-governadores presos:

Moreira Franco – Moreira Franco foi preso em 21 de março de 2019, durante operação da Lava Jato, a mesma que prendeu o ex-presidente Michel Temer. A decisão foi do juiz Marcelo Bretas, afirmando que as prisões preventivas eram necessárias para garantir a ordem pública.

Na ocasião, a defesa de Moreira Franco divulgou nota manifestando “inconformidade” com a prisão, pois o mesmo manifestava esta à disposição nas investigações em curso.

Moreira Franco ficou quatro dias na prisão e foi solto após decisão liminar do do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Moreira Franco foi eleito deputado federal pelo PMDB em 1974. Três anos depois se tornou prefeito de Niterói. No ano de 1987 tomou posse como governador do estado do Rio. Nos anos de 1990, voltou ao Congresso Nacional, exercendo mais dois mandatos como deputado federal, e nos últimos anos ocupou cargos no poder executivo federal. No governo Temer, foi secretário-geral da Presidência da República e secretário executivo do Programa de Parceria de Investimentos.

Pezão – Luiz Fernando Pezão foi preso, no dia 29 de novembro de 2018, quando ainda exercia seu mandato de governador do Rio, recebendo ordem de prisão dos agentes da força-tarefa da Lava Jato no Palácio Laranjeiras. Pezão assumiu o cargo de governador em abril de 2014 após Sérgio Cabral renunciar ao cargo para se candidatar ao Senado Federal.

Pezão foi encaminhado para unidade prisional da Polícia Militar em Niterói, onde ficou até 11 de dezembro de 2019, quando foi solto após decisão do STJ.

Pezão faz uso de uma tornozeleira eletrônica e não pode sair do Rio sem autorização judicial. O ex-governador foi condenado por improbidade administrativa e perdeu direitos políticos por cinco anos.

Rosinha Garotinho – Rosinha Matheus Garotinho foi presa junto com o marido, Anthony Garotinho, em novembro de 2017, durante operação que investigava crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais.

Rosinha ficou uma semana presa na Cadeia Pública de Benfica. Em janeiro de 2020, ela foi condenada por improbidade administrativa em razão de fraudes na saúde. A pena prevê a suspensão dos direitos políticos de Rosinha por 8 anos, além da perda de função pública. Rosinha terá que pagar R$ 234 milhões aos cofres públicos do estado, R$ 2 milhões de compensação por danos morais coletivos e R$ 500 mil de multa civil.

Garotinho – Em um ano, Anthony Garotinho foi preso por três vezes. A primeira prisão ocorreu no dia 16 de novembro de 2016 durante a Operação Chequinho, que investigava esquema de compra de votos envolvendo o programa social Cheque Cidadão na eleição municipal daquele ano.

Em 13 de setembro de 2017, Garotinho foi preso pela segunda vez, quando foi condenado por fraude eleitoral, cumprindo prisão domiciliar. Dois meses depois, foi preso novamente, junto com Rosinha, sua esposa.

Em 2018, Garotinho chegou a lançar sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro, no entanto, o TSE barrou a candidatura com base na Lei do Ficha Limpa.

Sérgio Cabral – Sérgio Cabral foi preso no dia 7 de novembro de 2016 pela Polícia Federal sob a suspeita de receber milhões em propina para fechar contratos públicos. Na época, o prejuízo era estimado em mais de R$ 220 milhões. O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo juiz Marcelo Bretas e por Sérgio Moro.

Cabral, que responde a 31 processos, está preso na penitenciária de Bangu 8.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, o ex-governador admitiu ter recebido propina e à 7ª Vara Criminal Federal chegou a dizer que dinheiro e poder são um “vício”. Ele também já acusou Luiz Fernando Pezão de receber dinheiro de propina.

Fonte: O Fluminense