Perícia encontra pelo de filho em arma usada na morte de pastor

Perícia encontra pelo de filho em arma usada na morte de pastor

14 de agosto de 2019 0 Por Francisco Avelino

Segundo delegada, evidência confirmou que Flávio efetuou os disparos contra o pai

Por Vitor d’Avila

A perícia comprovou que Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da deputada federal Flordelis (PSD-RJ), foi o executor do assassinato do pastor Anderson do Carmo, morto a tiros no último dia 16 de junho. Um pelo do filho foi encontrado no cano da arma. A informação foi passada pela delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói, em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (15), na sede da especializada, no Centro de Niterói.

Lomba também explicou que o indiciamento de Flávio e do irmão Lucas Cézar dos Santos, filho adotivo da deputada e de Anderson, foi baseado nessas provas técnicas: a arma do crime ter sido encontrada no quarto de Flávio e um pelo preso ao cano da arma que, após análise laboratorial, foi comprovado ser do filho biológico da deputada.

Também foram levadas em consideração as confissões de Lucas, que afirmou ter providenciado a arma do crime, e de Flávio, que revelou ter feito pelo menos seis dos disparos que vitimaram Anderson, motivado por um “relacionamento ruim” entre eles. A delegada ponderou que em nenhum momento os irmãos voltaram atrás nos relatos, tal qual chegou a ser informado pela defesa de ambos.

Segundo Bárbara Lomba, o inquérito que investigava a participação dos irmãos no crime foi encerrado devido as provas do envolvimento de ambos no crime e a proximidade do fim do prazo da prisão temporária deles. Tanto Flávio quanto Lucas responderão por homicídio qualificado por motivo torpe, já que o pastor não teve chance de se defender e a motivação seria por interesses financeiros não apenas dos irmãos, como também de outras pessoas da família.

Agora, as investigações sobre a morte de Anderson do Carmo seguem em um novo inquérito, atrelado ao anterior, que buscará esclarecer a motivação do crime e identificar outros envolvidos. A principal linha de investigação é de que a motivação do crime esteja ligada à administração financeira dos bens da família e da igreja evangélica Ministério Flordelis, que ficava concentrada nas mãos do pastor.

Segundo a delegada, todo o contexto familiar será investigado pela especializada. Para a DH, a morte de Anderson não era de interesse particular de Flávio e Lucas e há fortes indícios do envolvimento de outras pessoas da família, inclusive no financiamento da arma do crime, providenciada pelo filho adotivo, que teria custado entre R$ 8 e 9 mil. Bárbara Lomba afirmou não descartar ninguém da família, nem mesmo a deputada.

“Não descarto a deputada Flordelis. […] Ela pode vir a ser investigada”.

Esta foi a motivação da consulta feita pela Polícia Civil ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caso a investigação encontre indícios de participação da deputada no crime, o STF deu respaldo para que a DH prossiga com os trabalhos, já que a morte de Anderson não possui ligação com o mandato de Flordelis.

O celular de Anderson do Carmo ainda está desaparecido. Lomba confirmou a versão que, no dia em que agentes da especializada fizeram buscas na casa da família, um mototaxista levou um dos familiares até uma praia. Ambos prestaram depoimentos mas não se chegou à conclusão de que a viagem teve como objetivo descartar o aparelho no mar.

Nesta semana, dois celulares foram encontrados na carceragem da DH, onde Lucas e Flávio estavam presos. No entanto, a delegada informou que um aparelho estava na cela de outro preso e outro celular, de fato, estava na cela de Flávio mas que, pelo estado, estaria ali antes da prisão do filho da deputada. Ainda assim, o aparelho será periciado.

Nesta nova etapa da investigação, Bárbara Lomba e sua equipe irão avaliar se será necessário fazer a reconstituição do caso e convocar novos membros da família e outras testemunhas para prestar depoimento.

O Fluminense