O que realmente precisa ser enfrentado – Por Débora Máximo
27/11/2025Você já parou para refletir quantas oportunidades incríveis poderia ter vivido, ou quantas soluções importantes para os desafios da sua vida já poderia ter encontrado, se não tivesse adiado o confronto? Essa sensação de “e se” está profundamente ligada a um padrão de comportamento universal, mas destrutivo: a negação da realidade acompanhada de evitação e fuga.
Longe de ser um sinal de fraqueza, esse é um mecanismo de defesa que a nossa mente usa para amortecer o impacto de emoções grandes demais, como o medo, a dor ou a ansiedade que uma situação real provoca. O drama é que, ao nos proteger do incômodo imediato, essa tática nos aprisiona. Ela não resolve o problema; apenas o congela, impedindo o avanço e o crescimento pessoal.
Imagine que a vida colocou um grande obstáculo na sua frente. Em vez de encará-lo, a pessoa que usa a negação escolhe, inconscientemente, virar as costas. É aí que a evitação e a fuga entram em cena como seus “guardiões” temporários. A evitação é o bloqueio ativo, o ato de fugir ativamente de qualquer coisa que possa remeter ao problema, como a correspondência não aberta ou o desvio de rota para evitar um lugar.
Já a fuga é a distração crônica, o mergulho em atividades que servem como um “anestésico” mental – o trabalho em excesso, o consumo interminável de séries, as horas gastas nas redes sociais. São refúgios que preenchem cada momento livre, garantindo que não sobre espaço na mente para refletir sobre o que realmente precisa ser enfrentado.
Essa tática traz um alívio rápido, quase um suspiro de liberdade temporária. Contudo, essa liberdade é totalmente ilusória. O problema continua lá, nos bastidores da vida, e muitas vezes cresce em volume e complexidade, esperando o momento de cobrar um preço mais alto.
Como identificar se você ou alguém próximo está adotando essa rota de fuga? O comportamento é sutil, mas deixa rastros claros. Há uma tendência a dizer que “não é nada demais” ou que “tudo vai se resolver sozinho”, mesmo diante de evidências em contrário – a arte de minimizar – onde a pessoa está ativamente racionalizando a inação para não sentir a urgência de agir.
Outro ponto é o chamado Jogo da Culpa: é mais fácil e mais confortável transferir a responsabilidade, onde a negação encontra culpados externos – o trânsito, a sorte, a atitude alheia – poupando o indivíduo de ter que tomar uma decisão difícil. Note também a procrastinação estratégica: as tarefas realmente importantes são constantemente adiadas, e o tempo é preenchido com atividades de baixa prioridade, mas de alta recompensa imediata e fácil, mantendo a mente ocupada e distraída.
Por fim, observe a esquiva de conversa: sempre que o ponto sensível é tocado, a pessoa habilmente desvia o assunto, coloca uma piada ou demonstra irritação excessiva, em uma reação de defesa para proteger a “bolha de negação” que ela construiu. Reconhecer que estamos nos afastando da realidade é, paradoxalmente, o primeiro passo para recuperar o controle. É a chave para permitir que a vida real, com todos os seus desafios e, principalmente, com todas as suas recompensas, volte a fluir.

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Débora Máximo é influencer e graduanda em Psicologia





