Servidor da Prefeitura de Caxias é baleado na clavícula durante ação na Mangueirinha; sete presos e quatro pistolas apreendidas no segundo dia da ofensiva
Rio de Janeiro/Brasil
No segundo dia da Operação Barricada Zero, um operador de retroescavadeira foi baleado na comunidade da Mangueirinha, na região do Corte 8, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo a Polícia Militar, o funcionário da prefeitura foi atingido sem gravidade na clavícula e levado ao Hospital Moacyr do Carmo. Equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram deslocadas e já atuam na localidade. Ao todo, durante a ação, que se estendeu a comunidades de São Gonçalo e Mesquita, sete pessoas já foram presas.
Segundo a polícia, o servidor, de 46 anos, estava auxiliando a retirada de obstáculos, que era acompanhada por policiais do 15ºBPM (Duque de Caxias), quando um tiro foi disparado por traficantes. A bala atravessou o vidro da retroescavadeira e acertou a vítima na clavícula, no momento em que ela fazia o serviço ao lado da máquina. O homem foi levado para o Hospital Municipal Moacy Rodrigues do Carmo (HMMRC), em Duque de Caxias. Após o disparo, militares do Bope foram deslocados para operar na comunidade.
No momento, paciente foi encaminhado ao Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN), para realização de tomografia e avaliação médica por equipes de neurocirurgia e ortopedia.
— A operação estava se desenrolando quando efetuaram um disparo a esmo do alto da comunidade. Infelizmente (o tiro) veio a vitimar este servidor que foi prontamente socorrido. Imediatamente nós providenciamos a resposta que é o Bope atuando na localidade — explicou o subsecretário-geral da PM, coronel Luciano Carvalho de Souza.
De acordo com o deputado estadual Marcelo Dino (União), que acompanha a operação no município, essa foi uma das retaliações praticadas por criminosos da região em resposta à ação policial. A outra foi o sequestro de dois ônibus da Viação Santo Antônio, atravessados em uma das vias de acesso da área.
Por conta dos episódios, o trânsito segue intenso no entorno da comunidade no início da tarde. A operação continua em andamento e, até o momento, o balanço parcial indica a retirada de 210 toneladas de barricadas, além de sete pessoas presas — sendo quatro na Mangueirinha — e quatro pistolas apreendidas.
A mobilização envolve a limpeza de materiais remanescentes, o concretamento de trechos ainda não finalizados e o monitoramento constante das vias para impedir que organizações criminosas reinstalem bloqueios.
No primeiro dia da operação, realizado na segunda, foram removidas 593 toneladas de barricadas, entre estruturas de concreto, entulho, pneus, madeira, pedras e outros materiais usados para impedir a circulação de moradores, o acesso de serviços essenciais e a atuação da polícia.
Coordenada pelo Gabinete de Segurança Institucional, a Operação Barricada Zero reúne as secretarias estaduais de Habitação; Infraestrutura e Obras; Ambiente e Sustentabilidade; Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento; e Cidades. As pastas empregam retroescavadeiras, rompedores, basculantes, caminhões de concreto, maçaricos, motosserras e equipes técnicas para remover bloqueios e impedir sua reinstalação. As prefeituras dão suporte com serviços de limpeza urbana e ordenamento viário.
O governador Cláudio Castro afirmou que a iniciativa busca enfraquecer facções criminosas que utilizam barricadas para controlar a circulação e intimidar moradores das comunidades.
— Esse é mais um passo para enfraquecer as facções criminosas, que vêm impondo poder para amedrontar os moradores de comunidade. A população não pode continuar sendo refém da bandidagem. O primeiro dia de operação foi muito proveitoso, e seguiremos firmes. Enquanto houver criminoso tentando dominar território, haverá governo atuando para desmontá-lo — disse Castro.
Fonte: O Extra

