Alunos e professores expõem trabalhos de crochê, pintura, tricô e macramê, fortalecendo autoestima e promovendo geração de renda entre os idosos
Foto: Katito Carvalho
A Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Políticas para a Terceira Idade, promoveu nesta segunda-feira (24/11) mais uma edição da Feira de Artesanato na Casa da Terceira Idade de Itaipuaçu, realizada das 7h30 às 14h. A ação reuniu trabalhos de alunos e professores das oficinas de sandálias customizadas, crochê, tricô, macramê, pintura em tela e pintura em tecido, valorizando o aprendizado desenvolvido ao longo do ano.
A atividade integra o calendário de feiras realizadas nas unidades da Terceira Idade do município, que seguem com programação em Santa Paula, nesta terça-feira (25/11), das 8h às 12h, e em Inoã, no dia 8 de dezembro, das 8h às 14h. O objetivo é fortalecer a autoestima, promover o convívio e incentivar a geração de renda para os idosos que participam das oficinas ao longo do ano.
A Coordenadora Geral de Políticas para a Terceira Idade, Pamella Curvelo, destacou a importância do artesanato como prática terapêutica e como apoio financeiro para muitos idosos.
“O artesanato é uma terapia mental que ressignifica de dentro para fora. Muitos sobrevivem de um pano de prato pintado, de um macramê aprendido aqui, de um chinelo feito com carinho. Cada peça carrega uma história, muitas vezes marcada por dificuldades e esquecimentos familiares. A feira valoriza essas histórias e mostra para a cidade o quanto nossos idosos têm a oferecer”, afirmou.
O projeto vem ampliando o suporte aos participantes, incluindo acompanhamento nutricional e incentivo para que os trabalhos ganhem espaço também nas praças da cidade. “Queremos levantar essa bandeira para que o idoso seja importante em cada espaço de Maricá, com envelhecimento saudável e quebra de estigmas”, completou.
Arte que transforma vidas
Professora da oficina de artesanato, Maria Lúcia Santos, 67 anos, relatou como a pintura tem contribuído para a memória, a coordenação motora e, principalmente, para o bem-estar emocional das alunas.
“Muitas chegaram aqui com tristeza e depressão. A pintura estimulou a memória, devolveu autoestima e virou até renda extra. Elas aprenderam desde segurar o pincel até assinar o próprio trabalho. A arte é alegria e cada uma encontrou um jeito especial de enxergar o mundo”, disse.
Já a professora de crochê, Juciara Suzarte, reforçou o impacto emocional da técnica. “O crochê salva vidas. Eu vi alunas que chegaram sem saber segurar a agulha, chorando em crise de depressão, e hoje produzem peças lindas e usam o artesanato como renda. É arte, é alegria, é cura”, destacou.
Entre as expositoras estava Maria Jussara de Moraes, 69 anos, aluna das oficinas de crochê e tricô, que contou como o projeto impactou sua vida e seu processo de envelhecimento ativo.
“É muito legal poder dizer: ‘Eu, aos 69 anos, aprendi algo novo’. Isso aqui é uma terapia para nós, e é muito gratificante quando vemos a peça concluída. Quando cheguei aqui, estava em um momento muito delicado, muito vulnerável, e as aulas me ajudaram a sair dessa melancolia. Hoje estou prestes a completar 70 anos e espero que venham mais 70!”, declarou.

