Coronaflores

Coronaflores

4 de abril de 2020 0 Por Francisco Avelino

Por Alan Christi

Há quanto tempo você não tomava café da manhã diariamente com sua família? E é tão bom né (?), poder olhar e mexer em seu jardim. Brincar e acariciar seu animal de estimação. Almoçar com todos à mesa, mastigando devagar e engolindo cada porção por vez.

À tarde dá para tirar aquele soninho. Conversar com sua esposa ou esposo, com seus filhos, fazer um alongamento, um exercício na varanda, bater um bolo à mão e ainda lamber a colher. Brincar com os filhos ou simplesmente deitar na rede. E veja, à noite dá para fazer uma pausa e olhar as estrelas.

Antes de dormir ver aquele filminho com pipoca e depois uma boa noite de sono com mais de sete horas bem dormidas. Há quanto tempo não se fazia isso? Ler um livro, ligar para alguém, ou até para várias pessoas, bater papo, olhar os pássaros e as formigas. E o melhor: passar o dia de roupas leves, como deveria ser sempre, nesse país tropical.

Também estamos vendo o quanto às pessoas têm se solidarizado. É comida para caminhoneiro, vaquinha virtual, abraços e beijos por vídeo, distribuição disso e daquilo.

Preocupação com os outros, com os que moram nas ruas, com os que vivem em favelas, comunidades. Preocupação com os idosos. Saudades, SAUDADES, de quem gostamos. Declarações de amor mais frequentes e sinceras. Construção de hospitais, de abrigos, distribuição de comida, cestas básicas. Incentivo financeiro, congelamento de preços, voluntariado para todos os lados, valorização da saúde pública e dos profissionais (ainda com salários pequenos e diferenças salariais absurdas, mas já é um começo…)

União de religiões diferentes, redução nos crimes, assaltos, assassinatos. Redução drástica na poluição do ar, trânsito livre para as ambulâncias e viaturas, adiamento ou até redução de taxas e tributos. Nossa!!! Eu nem imaginava que tudo isso era possível!

Não! Não gostamos dessa pandemia. Nos entristecemos com os adoecidos e as mortes. Estamos assustados e preocupados. Estamos em home Office, lutando para fazer o melhor e torcendo para que tudo isso passe Para que recuperemos nosso direito de ir e vir.

Para que possamos voltar com nossos abraços apertados e possamos passear e pegar uma prainha. Mas, tudo isso que estamos vivendo precisa nos ensinar algo, precisa nos fazer melhores. Precisa nos ensinar a usar o esquadro e o compasso no desenho diário de nossas vidas.

Pois, nada disso é em vão e o mundo, em sua trajetória cósmica, precisa passar por isso. E dessa fase crítica, precisamos também tirar muitas lições e, sobretudo, evoluirmos.

Tudo na vida tem seu lado bom e seu lado ruim. Nada é absoluto em um único sentido. Será que podemos voltar ao nosso normal, termos de volta as nossas vidas, mas, conservando o lado e os ensinamentos bons que essa Pandemia nos mostrou?

Temos essa capacidade de percepção, de compreensão e de mudança? Então façamos isso. Pelo bem do mundo e em agradecimento pelo que esse triste e terrível vírus nos ensinou, entre mortes e flores!