Falando a Verdade

Falando a Verdade

26 de novembro de 2019 0 Por Francisco

Ganhou o Mengão, mas perdeu o Brasil!

Colunista Por Alan Christi


Dia 23 de novembro de 2019. Mais um dia histórico para o esporte brasileiro e em especial para todos os rubro-negros. Sonhamos e torcemos por uma fase tão boa como essa que culminou numa tensa vitória, de virada sobre o River Plate e nos gratificou com a Taça Libertadores.

Quanto orgulho! Quanta alegria! Mas também quanta tristeza!!! Alegria de ver o entusiasmo dos parceiros rubro-negros, de todas as idades, de todas as regiões do país, de todas as etnias e classes sociais, vibrando juntos, enchendo as ruas, num só grito e com um só objetivo: a vitória do Flamengo!

E tristeza de lembrar que esses mesmos brasileiros, esses mesmos cidadãos, não conseguem fazer o mesmo movimento e a mesma mobilização em prol de seus direitos. Não desenvolveram a cultura de lutar por seus direitos.

Não conseguem se juntar, lotar as ruas ou os espaços públicos na luta por justiça, por liberdade, por dignidade e igualdade. Esse mesmo povo, que sai buzinando e brindando, gritando e interditando vias, por um time que ganhou, assiste passivamente seus direitos trabalhistas sendo roubados, destruídos. Sem qualquer sinal de reação. Assiste sua aposentadoria suada, sofrida, sendo detonada, sendo subtraída, sem soltar qualquer grito, sem qualquer oposição.

Colocam suas vidas em risco para brigar por um time de onze jogadores que ganham salários centenas de vezes maiores que seus fies torcedores, mas nem sequer se pronunciam quando seu país, sua pátria, seu estado ou sua cidade são tomados por falsos salvadores ou pela corrupção extrema, não só do assalto aos cofres públicos, mas em especial pelo falso discurso moralista e pelo corporativismo de um capitalismo selvagem e de projetos pessoais de enriquecimento e luxúria financeira.


Se por um lado foi lindo ver tanta gente alegre, dando as mãos por uma vitória. Por outro lado foi terrível lembrar que muitos estavam morrendo em corredores de hospitais públicos pelo país.

Que muitos já não tinham um tostão em suas contas bancárias nessa última semana do mês, pois ganham salários miseráveis e trabalham de forma quase escrava, enquanto uma elite hipócrita toma champanhe diariamente, à custa desses iludidos.

E o pior, esse povo sofrido, o mesmo que comemora com toda a sua energia a vitória de um time de futebol, não reage a sua própria condição de submissão, de escravidão, de exploração. E acorda no dia seguinte, da ressaca da Taça comemorada, e levanta responsavelmente para ir trabalhar e enriquecer um pouco mais àqueles que o exploram.


Por que tanta negligência consigo mesmo? Por que tanta passividade diante da exploração? Por que não sente indignação com tanta desigualdade social e injustiça e muda tudo isso usando a mesma força e disposição que torce por um time de futebol?

Essas são perguntas que precisam ecoar na mente desses torcedores-cidadãos que sorriem e vibram por uma bandeira que praticamente não irá influenciar em sua vida, em sua família em sua história, e muito menos ainda no prato de comida que será servido todos os dias em sua mesa, mas quase não vibram ou lutam pela bandeira de seu país e principalmente pela bandeira da dignidade humana e da justiça social, que deveriam ser pilares da vida dos mais de 200 milhões de brasileiros.