Quem pode mudar o Brasil?

Quem pode mudar o Brasil?

agosto 30, 2019 4 Por Francisco

Por Alan Christi

Vemos ultimamente que o brasileiro vem terceirizando a urgente necessidade de mudança do nosso país. Parece que para essa mudança ocorrer é preciso um Salvador da Pátria ou um Super-Homem entrar em cena e assumir todo o trabalho, mas na verdade esse é um grave equívoco, pois, essa responsabilidade é de todos nós. Só coletivamente e com a ajuda e empenho de todos os brasileiros ou da maioria é que será possível mudar o Brasil.


Claro que com um cenário tão crítico de um país dividido e polarizado, não faltarão os “falsos profetas” e os falsos “super-heróis” que se candidatarão à função de baluartes da mudança, da honestidade e do fim da corrupção. Porém, é preciso muito cuidado.


Oportunistas só querem atender a interesses próprios e não conseguirão realizar qualquer mudança significativa na realidade social de nosso país. Até porque não são esses os seus objetivos. É preciso se vacinar contra isso e compreender que nenhum sujeito sozinho ou isoladamente conseguirá transformar uma nação.

Quem lhe prometer isso, seja político, líder religioso, militar, profeta, vidente, sensitivo ou louco, estará mentindo. Não acredite! Abra as luzes de sua consciência e entenda de uma vez por todas que só você, unido aos demais cidadãos comuns, pode mudar o Brasil. É preciso uma força tarefa de milhares de pessoas.

É preciso mudar cultura e comportamento individual e coletivo. É preciso haver amadurecimento e postura em todos. É preciso que o compromisso de mudar seja mais forte do que a tentação de se vender.

Querem provas do que estamos falando aqui? Basta olhar para a história do nosso país. Qual foi o sujeito, solitariamente, que alguma vez salvou ou deu jeito no Brasil? Quem foi que mergulhado num poder absoluto, envolto em farras financeiras e promíscuas e oportunidades de crescimento fácil e rápido, pôde tornar-se um verdadeiro guerreiro da transformação desse país, de algum estado ou município? Quem conseguiu abdicar de seus próprios interesses, de seus vícios e paixões, de suas fraquezas e de suas corrupções particulares para dedicar-se a uma empreitada solitária e absoluta em prol da nação ou de uma comunidade? Claro que tivemos muitos sujeitos fantásticos, como Betinho, Dorothy Stang, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Zumbi dos Palmares, Nise da Silveira, Dandara, Nísia Floresta Augusta, Tarsila do Amaral, Maria da Penha, Chico Xavier, Chico Mendes, Irmã Dulce, Anna Nery, Tiradentes, Padre Cícero, Zilda Arns, Mariele Franco, que fizeram isso e dedicaram uma vida inteira ao bem comum, mas estes morreram tentando, lutando e muitas vezes de forma solitária e sacrificada.

Não são exemplos dos que chegaram ao poder, pois, lutaram contra as hegemonias, enfrentaram o sistema e questionaram as desigualdades e injustiças sociais. E na grande maioria frustrados pelo pouco resultado e pela tristeza do que o ser humano faz a si mesmo por dinheiro e por poder.

O que fazer então? Desistir? Não acreditar em mais nada? De forma alguma! É necessário lutar e buscar aquilo que acreditamos como bem comum, como justiça social, como equidade e como respeito ao próximo. Mas não é possível fazer isso só. É preciso fazer isso junto. Cabe
a cada um de nós dar as mãos aos que querem também construir um futuro melhor, uma sociedade que valha a pena e uma geração mais fraterna e capaz de amar e fazer o bem.

Isso será possível através da cultura crítica, da educação e da formação de sujeitos éticos, que tenham capacidade de empatia, de respeito, de questionamento e de justiça. Sem o egoísmo dos gananciosos e sem a maldade dos perversos. Porém, tudo isso junto. Todos! Ocupando os
lugares que hoje são dos indivíduos ruins.

Por Alan Christi