Operação prende 42 milicianos que tentavam extorquir dinheiro de polo da Petrobras no RJ

Operação prende 42 milicianos que tentavam extorquir dinheiro de polo da Petrobras no RJ

4 de julho de 2019 0 Por Francisco Avelino

Criminosos comandados por Orlando Curicica cobravam taxas da população e de grandes empresas, incluindo o Comperj. Lucro mensal ultrapassava R$ 500 mil. Polícia visa a cumprir 74 mandados de prisão.

Milicianos exibem armas pesadas em Itaboraí — Foto: Reprodução/PCERJ


Operação prende milicianos que tentavam extorquir dinheiro de polo da Petrobras no RJ

Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do RJ prendeu, na manhã desta quinta-feira (4), 42 suspeitos de integrar uma milícia que invadiu a cidade de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio.

Comandado por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, o grupo paramilitar exigia o pagamento de taxas da população e de grandes empresas.

Segundo as investigações, os milicianos fizeram cobranças até ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), cujas obras foram retomadas no ano passado.

A polícia ainda não informou se o Comperj efetuou os pagamentos exigidos pelos milicianos. Já se sabe que um dos alvos das investidas dos criminosos era o transporte de funcionários ao complexo.

A força-tarefa afirma que o bando lucrava pelo menos meio milhão todos os meses. Orlando Curicica está no presídio federal de Mossoró (RN). Ele é um dos alvos desta operação.

Curicica também é apontado como um dos suspeitos na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes.

Braço direito de Curicica, o PM Fábio Nascimento de Souza, o China, foi preso em Rio Bonito. Ele servia à Unidade de Polícia Pacificadora do Borel, na Tijuca, Zona Norte do Rio.

O ex-PM Alexandre Louback Geminiani, o Playboy, um dos 74 alvos, pulou do quarto andar do prédio onde estava, no Centro de Itaboraí. Mesmo com a queda, ele escapou do cerco.

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Quadrilha usava mulheres

A ação, batizada de Salvator, visa a cumprir 74 mandados de prisão – cinco deles contra policiais militares – e 90 mandados de busca e apreensão.

Chamou a atenção dos investigadores a participação de mulheres no esquema. A elas cabiam tarefas como cobranças de moradores e lojistas. Uma idosa está entre os presos.

“A prática deles é bem brutal. A gente tem testemunhas e vítimas de extorsões não só destas taxas de segurança, mas também eles tomando alguns comércios, tomando residências, torturando moradores”, explicou o delegado Gabriel Poiava.

Leonis Loviz da Silva; Cláudio José Rodrigues Braz, o Polegar; e Altemar de Oliveira Rodrigues, o Zé Trovão ou Mazinho, presos na Operação Salvator — Foto: Reprodução/PCERJ

Tráfico foi expulso há um ano e meio

A milícia atua no município há, pelo menos, um ano e meio. Antes, o tráfico dominava a região.

Após a chegada dos milicianos, traficantes começaram a aparecer mortos, com corpos deixados pelas ruas da cidade, uma forma de intimidar a população. Isso despertou a atenção da polícia e fez com que a quadrilha passasse a ocultar os cadáveres.

Segundo a polícia, a partir de então, a quadrilha comandada por Curirica também se tornou responsável, além de homicídios, pelo desaparecimento de pessoas na cidade.

Com o auxílio de PMs, eles passaram a matar usuários de drogas, autores de pequenos furtos e até mesmo parentes de traficantes de outras comunidades.

“Eles não só atuavam como a gente vislumbra naquela antiga clássica atuação de um grupo de extermínio, com ‘taxa de segurança'”, explica Rômulo Santos, promotor do Gaeco. “Eles cobravam sobre imóveis vendidos na região”, frisou.

O promotor afirma também que imóveis tomados eram até anunciados na internet. “Eles expulsavam moradores, tomavam os imóveis e vendiam até através da OLX”, complementou.

Crueldade chamou atenção

De acordo com a polícia, uma das coisas que mais chamaram atenção durante as investigações foi a crueldade com que o grupo executava suas vítimas.

“Uma das coisas que nos chamaram a atenção foram os requintes de crueldade. Alguns foram presos também por tortura, outros porque mutilaram corpos de vítimas”, disse Poiava.

“Um chegou a tirar o coração de uma vítima, a cabeça”, citou o delegado.

Os integrantes da organização ainda são apontados como responsáveis pela maior chacina que já houve no município. Em janeiro deste ano, 10 pessoas foram brutalmente assassinadas.

A ação, da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar.

Ao todo, cerca de 300 policiais civis e 40 PMs estão nas ruas para cumprir os mandados.

Distintivo e armas foram apreendidos na Operação Salvator — Foto: Reprodução/PCERJ

Investigações

As investigações tiveram início na mesma época em que Orlando Curicica colocou um dos seus homens de confiança e braço direito, Renato Nascimento dos Santos, o Renatinho Problema, para expandir os negócios da quadrilha.

A atuação do bando começou no bairro Visconde de Itaboraí, mas, com a ajuda do policial militar Fábio Nascimento de Souza, o China, em pouco tempo o esquema expandiu para bairros vizinhos.

A organização criminosa, segundo o MP-RJ, tinha funções bem definidas, tais como donos, lideranças, gerência, ‘matadores’, recolhedores, soldados ou olheiros.

G1 RIO DE JANEIRO / Por Felipe Freire, TV Globo