Meio copo de água.

Meio copo de água.

junho 6, 2019 2 Por Francisco

Colunista: do Jornal Litoral RJ

Editação: de Danilo Santos Professor de Geografia


Uma questão que aflige diversos maricaenses é a geração de empregos.

Um assunto da moda é como o petróleo (os royalties) ajudarão Maricá a desenvolver atividades produtivas que gerem postos de trabalho.

A indústria surge como opção.

Inicialmente temos que avaliar os chamados fatores locacionais da indústria, que são os elementos estruturais que um “lugar” possui para atender a demanda produtiva industrial. São diversos os fatores locacionais, mas vamos nos debruçar sobre alguns deles que considero demasiadamente relevante e de base.


O primeiro é a disponibilidade de água. Ela está presente em todo processo produtivo. Algumas indústrias, por exemplo a de bebidas, consomem imensas quantias de água em suas atividades.

Como exemplo, a Heineken participa do Comitê de Bacias Hidrográficas nas regiões em que atua. Assim, sem oferta abundante de água o município inviabiliza a alocação de uma gama de indústrias.


Em Maricá, como todos sabemos, a água é escassa e de difícil acesso até para o consumo residencial. A Cedae, administradora do serviço, possui reservatórios obsoletos e inadequados que não conseguem atender a demanda.

Sua rede de distribuição é limitada, não atende a totalidade do município. Apresentando uma rede limitada do ponto de vista da abrangência e uma infraestrutura arcaica, sem previsão de melhora e expansão, fica praticamente inviável ou não-atraente para indústrias de grande porte se estabelecerem em Maricá quando o “critério definidor” for a oferta de água.

Outra questão intrinsecamente relacionada à anterior, é o saneamento básico.


O saneamento básico pode surgir como critério de definição para a localização de uma grande indústria.

Em Maricá uma grande indústria teria que investir um volume considerável de capital em estação de tratamento próprio, tendo em vista a não oferta de saneamento público abrangente.

A concessionária do serviço bem como a municipalidade possuem uma precária rede de esgoto e estações de tratamento que de longe não atendem o atual volume de residências. O saneamento básico maricaense atual, é um meio de repulsa e não de atração industrial.

O saneamento básico contribuiria ainda para atividades relacionadas ao turismo uma vez que diminuiria o lançamento de esgoto in natura nos corpos hídricos (rios e lagunas). Além da melhora na balneabilidade, melhoraria a qualidade da água e seus reflexos na saúde.

O terceiro ponto que considero de extrema importância é a “dobradinha” energia elétrica e disponibilidade e qualidade dos meios de comunicação.

Em especial o acesso à Internet. Nenhuma grande empresa hoje está fora do mundo informacional. Algumas migraram setores inteiros de suas atividades para as plataformas digitais.

Maricá não conta hoje com um acesso vigoroso ao meio informacional. Redes precárias e de inserção oscilante. Por exemplo, as grandes empresas que atuam na capital do Estado não “entraram” no mercado maricaense.


A Enel, concessionária de energia, sofre inclusive um amplo ataque político pelo seu péssimo serviço prestado aos maricaenses. Não é necessário aprofundar o debate para a essencialidade de energia elétrica nos processos produtivos industriais e a insípida atuação da Enel em Maricá. Sem atender efetivamente o consumo residencial, o consumo industrial ficaria ainda mais prejudicado.


A qualificação de mão de obra local é outro fator determinante para a atração industrial. Timidamente chegou a Maricá o “nível superior”, mas ainda com uma “linha” limitada. Não há cursos técnicos essenciais como por exemplo as “engenharias”.


Tendo em vista os apontamentos anteriores, fica difícil acreditar, num cenário a curto prazo, em uma “guinada industrial maricaense”. O que se discute na atualidade é o volume de recursos recebidos e o poder transformador que ele pode proporcionar. Criando as bases para a chegada de indústrias e empregos.


O poder público recentemente inaugurou a Sanemar (Companhia de saneamento) que visa a distribuição de saneamento básico e a execução demedidas que solucionem a “falta de água municipal”. Sem nenhuma “Macro- ação” concreta o novo empreendimento público promete criar soluções que destravem gatilhos e desteçam esses nós, retirando Maricá desse “retardo”.


O Poder Público ainda vem criando ações políticas para chamar atenção do
setor privado para a precária atuação das concessionárias de água e luz em Maricá.

O embate é grande mas ainda não há um resultado prático efetivo.
Da mesma maneira, o Poder Público vem atuando em ações para “facilitar” a qualificação técnica da mão de obra local e para melhorar aisponibilidade de meios que viabilizem o acesso à Internet.


Fica claro que a ação do Poder Público será basilar para o sucesso ou derrocada do projeto de “indústrias em Maricá”. A situação argumenta que é de conhecimento das Autoridades as mazelas e limitações e que ações para reverter essas históricas deficiências estão sendo tomadas a passos largos.

A oposição acusa a situação de promover uma maquiagem e não atacar o que éessencial. Assim, o copo está com água pela metade, uns enxergam como meio cheio, outros como meio vazio. Entre um lado e outro está o e a chefe de família que precisam pra hoje de emprego para arcar com os custos de manutenção de sua família.