A Desigualdade Profissional

A Desigualdade Profissional

maio 11, 2019 0 Por Francisco

COLUNA Falando a Verdade A Desigualdade Profissional

Por Alan Christi

Quase todo mundo se sensibiliza quando passa na rua e vê um morador de rua com frio, fome, uma criança no sinal pedindo esmolas, um idoso jogado num asilo público, uma pessoa sem recursos ou atendimento adequado num hospital do governo, uma criança indo descalça para a escola.

É triste né? Mas na verdade existe uma grande engrenagem de produção de desigualdades sociais que agrava situações como essas e produz diariamente mais desigualdades entre os cidadãos. Existe um pano de fundo social, do qual somos cúmplices sem perceber, que garante que o rico fique mais rico e o pobre mais pobre.

Hoje vamos falar de uma forma cruel e agressiva de desigualdade social que é a : desigualdade profissional.

A desigualdade profissional é algo muito antigo, mas se agravou muito e tomou corpo como estratégia capitalista de acirrar as diferenças de classes sociais a partir do desenvolvimento da ciência moderna.

Hoje essa situação se tornou comum e o pior, algo aceito pela sociedade e pelos próprios profissionais.

A desigualdade profissional é a produção em larga escala de desigualdades sociais pelas diferenças dadas às profissões quanto a lugares sociais, status, salários, oportunidades, hierarquia e até mesmo respeito. É isso mesmo! As pessoas são tratadas de formas diferentes, negativamente falando, de acordo com a profissão ou função que exerce.

Pode observar as diferenças de respeito, de salário, de vagas, de flexibilidade, de carga horária, entre um médico e um professor, entre um advogado ou procurador e um sociólogo, entre um psiquiatra e um psicólogo, entre um médico ortopedista e um fisioterapeuta, entre um fiscal e um administrador, entre um veterinário e um biólogo, entre um dentista e um nutricionista, entre um médico otorrino e um fonoaudiólogo, entre um engenheiro e um historiador.

E isso começa a ser implantado lá na infância. Uma criança é incentivada a achar que o sucesso está em escolher e conquistar determinadas carreiras. O orgulho para os pais ou para as próprias crianças, de imediato, é ser um médico, um engenheiro, um advogado.

Faça uma pesquisa simples, junte 30 crianças de classes sociais diversas e pergunte o que elas sonham em ser quando crescer. Você verá que na maioria teremos respostas voltadas a profissões que ganham muito e que têm notoriedade social.

Hoje talvez ainda apareça um ou outro querendo ser youtuber, jogador de futebol ou policial, que são ondas do momento. Porém, raramente você verá uma criança dizer que quer ser professor, gari, fisioterapeuta, psicólogo, motorista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, pedagogo, historiador, sociólogo, biólogo, ambientalista.

Mas porque tanta diferença? É uma pergunta simples de responder. Pega um edital de processo seletivo ou de concurso e compara o salário. Quanto ganha um profissional de saúde de qualquer área sem ser medicina? E quanto é o salário de um médico? Quanto ganha um fiscal? Ele tem gratificação que aumenta seu salário? E um professor que fica em sala com 30 crianças, tem gratificação alta? Ganha um excelente salário? É valorizado e respeitado? Por que essas diferenças tão absurdas? Quanto ganha um procurador de um município e quanto ganha um jornalista de uma prefeitura? Quanto ganha um engenheiro e um pedagogo? Há diferença? E se for um médico, um engenheiro e um advogado, ou dentista recém-formados, comparando a um pedagogo, professor, ou psicólogo com mestrado, doutorado, especializações: quem tem o maior salário? Quem tem mais respeito ou espaço num hospital

por exemplo? Ou numa repartição pública? Você já viu um médico desempregado? Bem raro né? E um professor ou um enfermeiro? Qual a escala de plantão ou carga horária e o salário de um enfermeiro com 20 anos de experiência e muitas formações complementares? Qual seria a resposta da mesma pergunta para um médico que acabou de sair da faculdade e ingressa num hospital público? Por que tanta diferença?

Bem, teremos que voltar a falar disso e não vamos esgotar aqui o assunto, mas, lançamos o início de uma reflexão sobre a desigualdade profissional e sua grande repercussão na desigualdade social, onde a tendência é a hereditariedade dessa situação fazer perdurar, ainda por muito tempo, o cenário de uma sociedade tão injusta como a nossa.